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Sri Lanka – Parte I – Sigiriya Um Palácio Nas Alturas

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Não pensei que retornaria ao Sri Lanka, quando estive por lá na década de 80. Mesmo porque, nessa época, a região norte era ocupada pelo grupo separatista rebelde Tamil. Depois dos acordos de paz, o país tornou-se um dos lugares mais exóticos para turismo na Ásia.

SIGIRIYA ROCK foi o motivo da minha volta. Quando vi a foto daquele extraordinário maciço rochoso, que se eleva a quase meio quilômetro do solo em meio à floresta, percebi que não era apenas a geografia ímpar que me atraía, mas a história de um extravagante rei que usou o topo da gigantesca rocha para construir um palácio num dos locais mais fascinantes da Terra.

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Sigiriya Rock, conhecida entre os locais como a Rocha do Leão “Lion Rock” é uma monumental formação geológica monolítica ovalada com aproximadamente 400 metros de altura, composta por paredões escarpados no meio da selva.

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O mais hipnotizante, não é a rocha em si, mas o incrível palácio que o Rei Kashyapa construiu no platô do topo, por volta do século V d.C, onde instituiu a sede do seu reinado. A estrutura do palácio sobre o platô media 3 km de comprimento por 1 km de largura, e lembrava uma verdadeira cidadela nas alturas.

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Escalar o Sigiriya Rock e subir as centenas de degraus, nas vertiginantes escadarias cravadas na rocha vertical é um desafiante exercício para os pulmões, joelhos e panturrilhas, mas durante a subida a magnetizante paisagem vai deixando para trás eventuais traços de fragilidade.

As escadarias vão dando acesso aos diversos níveis, até o topo, cada um com suas diferentes funções para o reinado de Kashyapa
O rei Kashyapa projetou a construção do palácio sobre o platô da Rocha do Leão por ser um ponto estratégico para segurança. Assim, lá do alto, o inimigo poderia ser rapidamente avistado.

Kashyapa também ordenou a construção de belíssimos jardins em todo o complexo, e mandou cercar toda a área com um fosso para aumentar defesa dos habitantes do local, no caso de uma invasão.

​As ruínas revelam a grandiosidade da estrutura do palácio, e hoje é considerado um dos mais importantes locais de planejamento urbano do primeiro milênio, com uma planta muito bem elaborada para a época.

A rocha passou a se chamar Rocha do Leão depois que o rei mandou esculpir um enorme leão em um dos portais de entrada da fortaleza que protegiam o palácio.

A fortaleza foi originalmente construída na forma de um leão deitado, e a entrada do palácio era feita pela boca do leão. Hoje, apenas as gigantescas patas do animal com suas garras sobreviveram ao tempo, mas é possível imaginar a magnitude da sua escultura. As patas ladeiam a escadaria que dá acesso aos outros pisos. E, assim, de piso em piso, chega-se ao topo, de onde se tem uma vista panorâmica de 360º da luxuriante paisagem

O palácio dispunha, entre outras coisas, de cavernas com afrescos, piscina real, sistemas de cisternas (que funcionam até hoje), passagens secretas, jardins superiores, sistema de hidráulica, controle da erosão, esculturas, como as belíssimas patas dos leões, e uma série de afrescos muito bem preservados.

Afrescos com uma incrível coloração datada do século V, época da construção do complexo. Elas representam a suprema expressão da arte cingalesa. Hoje, essas pinturas estão reduzidas a 19 figuras femininas, mas de acordo com os poemas da época existiam pelo menos 500 graciosas damas pintadas

Mais de 750 degraus íngremes dão acesso ao topo da rocha. Em muitos trechos, escadarias de ferro são fundidas no paredão vertical da rocha, contornadas por uma espécie de jaula de proteção para o visitante não despencar lá do alto.

Apesar da imponência do palácio, não durou muito tempo. Por volta do século VI foi abandonado após a morte do rei Kashyapa. Mais tarde, o complexo foi tomado por monges budistas, que o ocuparam até o século 14º. Pouco se sabe o que aconteceu nos dois séculos seguinte, mas em meados dos anos 1600 Sigiriya voltou a servir de posto de observação, desta vez para o reino de Kandy.

Sigiriya está localizada no distrito de Matale, na província central do país, próximo à cidade de Dambulla. O mundo ocidental só teve conhecimento do local em 1831, quando um major britânico percorreu a ilha de Sri Lanka a cavalo e descobriu o maciço rochoso, que fora palco do antigo reinado de Kashyapa.

Redescoberta

Só em 1907 a comunidade internacional mostrou interesse pela história do local e pelos tesouros arqueológicos que lá existem, tendo sido reativado para exploração de turismo a partir de 1982.
Sigiriya Rock é um verdadeiro tesouro arquitetônico de grande magnitude e foi tombado pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. Hoje, é o sítio histórico mais visitado no Sri Lanka, e conhecido pelos locais como a 8ª maravilha do mundo.

Um ponto de partida para explorar o Sigiriya Rock é Dambulla, a cidade mais próxima que fica apenas 25 km da atração de Sigiriya, com ônibus que partem a cada 30 minutos. Dambulla fica a 150km da Capital Colombo e 70km da belíssima e histórica cidade de Kandy.

A vantagem de ficar em Dambulla é que ali fica o magnífico templo budista GOLDEM TEMPLE ou CAVE TEMPLE, são 5 cavernas que viraram um santuário budista, com centenas de estátuas de buda de todos os tamanhos e posições. As paredes rochosas de cada caverna são forradas por riquíssimos e coloridos afrescos que relatam a vida do Gautama Budha.

Quem preferir mais comodidade, pode ficar hospedado no Hotel SIGIRIYA, que fica bem próximo da atração e de onde se tem uma deslumbrante vista da Rocha a partir da área da piscina do hotel. A administração do Hotel também oferece estrutura e guias para a visitação.

Curiosidade

A Banda Duran Duran, deixou o mundo boquiaberto quando lançou o cliple “Save a Prayer”, gravado no topo do Sigiriya Rock que foi considerado um dos melhores clipes de todos os tempos.

DICA

Subir a Sigigiya Rock cedo e, assim, evitará o calor excessivo no desenrolar da manhã e terá as escadarias e a paisagem sem a horda de turistas.

Levar água, chapéu, protetor solar, câmera, e muito fôlego para subir os mais de 750 degraus até o topo. (Ida e volta são 1500 degraus)

​A partir do estacionamento do Parque Nacional de Sigiriya segue-se a pé pela retilínea estrada atravessando os lotes gramados. Depois de aproximadamente 1 km chega-se a uma harmoniosa passagem sob duas rochas que formam uma espécie de túnel. A partir dali, começam as infindáveis escadarias, que vão ficando cada vez mais estreitas e mais íngremes. Em um determinado ponto, a escada vira um caracol, fixada na parede escarpada da rocha. Nessa hora dá um frio na barriga, mas a paisagem fala mais alto.

Acompanhe a Parte 2 clicando aqui!

Márcia Pavarini

Marcia Pavarini é advogada de profissão, fotógrafa e apaixonada por viagens. Compartilha suas andanças pelo mundo no Diário das 1001 Viagens.

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